Protagonismo de energias limpas, como eólica e solar, na matriz energética exige mecanismos para estabilidade no fornecimento.
A Série Energia desta semana discute a necessidade de se criar formas de armazenamento de energia em larga escala. A intermitência, ou seja, o fato de fontes renováveis, como a solar e a eólica, não gerarem energia continuamente, impõe o desafio crucial de como garantir um fornecimento elétrico estável e confiável. Para o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) de Pirassununga da USP, a resposta está no desenvolvimento de sistemas de armazenamento e aponta alternativas.
Para ele, enquanto as baterias de íon-lítio ganham destaque, especialmente para aplicações de menor porte e mobilidade, um leque de outras tecnologias robustas é essencial para a estabilidade da rede elétrica em grande escala. “A necessidade de armazenar grandes blocos de energia torna-se mais premente à medida que a participação de renováveis variáveis em nossa matriz elétrica ultrapassa novos recordes”, assegura.
O Brasil, com sua meta ambiciosa de diversificação e descarbonização, já observa dias em que a geração solar ou eólica atinge picos expressivos. Para que essa energia não seja desperdiçada e para que o sistema elétrico mantenha sua segurança e confiabilidade, o professor diz que são necessários reservatórios energéticos capazes de absorver os excedentes e injetá-los na rede quando a demanda é alta ou a geração renovável diminui. “Essa capacidade de armazenamento em larga escala é vital para otimizar o uso dos nossos recursos renováveis, reduzir a dependência de termelétricas fósseis e garantir a estabilidade da frequência e tensão da rede.”
Neste episódio, o professor aponta pelo menos cinco alternativas que podem ser aplicadas ao caso brasileiro. Caneppele complementa dizendo que o planejamento estratégico do setor elétrico deve, cada vez mais, considerar o armazenamento não como um custo adicional, mas como um investimento essencial para desbloquear todo o potencial das vastas fontes renováveis e garantir um futuro energético seguro e sustentável para o País.
A Série Energia tem apresentação do professor Caneppele, que produziu este episódio com Murilo Miceno Frigo, discente de doutorado e professor do Instituto Federal do Mato Grosso do Sul (IFMS). A coprodução é de Ferraz Junior e edição da Rádio USP Ribeirão. Você pode sintonizar a Rádio USP Ribeirão Preto em FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS.
Fonte: Jornal da USP